(foto tirada hoje, durante a pintura do muro) Já eu... adoro ver o muro pintado! Chego na segunda-feira querendo ver o que foi realizado com um certo frio na barriga. Como terá sido a produção deste ano? Sinto-me de certa forma responsável. Gosto de ver como evoluiu o processo artístico de estudant...es que vivenciaram comigo questões do mundo da Arte, durante dois ou três anos, tiveram também experiências com outros professores, passaram por novas situações em suas vidas, e agora, com autonomia, registram estados poéticos e estéticos no pátio do colégio. Num gesto tão ancestral e primitivo quanto os dos antigos humanos que, com suas pinturas rupestres nas paredes das cavernas, nos deixaram pistas para compreendermos nossa mesma humanidade. E no muro pintado, no pátio do colégio, reconheço valores, humores, sentidos, subjetividades, identidades, como pistas para alcançar uma compreensão do que os jovens estão pensando, sentindo, atribuindo valor. Mesmo quando discordo de algumas ideias ou soluções estéticas, o que se revela é o que é, está ali e temos que aprender a conviver com a realidade (mesmo que subjetiva) como ela é. Através da pintura no muro se estabelece um diálogo coletivo produzido pelas imagens que ali estão. Elas conversam comigo ao longo do ano a cada detalhe que vou observando. E conversam também entre si e com as crianças que brincam no pátio, com os funcionários da cantina, inspetores, zeladores, professores, pais, visitantes... e habitam o imaginário coletivo ao longo do ano e até mais tempo, mesmo quando são apagadas para dar lugar a novas imagens , poéticas, estéticas. Como será que cada uma das pessoas desse universo tão diverso, que habita o São Vicente, dialoga com esse muro pintado? Taí, seria uma investigação interessante a se fazer... Estou louca pra chegar segunda e ver o resultado deste ano.
Cacau Marçal
