domingo, 31 de julho de 2011

Brasil no Gelo

Por Camila Barbosa Ruttimann

Em pleno inverno brasileiro, uma frente fria ataca o sul e o sudeste do país, tendo como consequência uma época extremamente gelada, aonde se registra recordes de temperatura. No começo de Julho, foi encontrada a tarde mais gelada de São Paulo com 15°C enquanto em Santa Catarina, mantém uma taxa de -5° a 2°C como temperatura mínima. A menor temperatura encontrada no Brasil havia sido em maio, com -5,6°C no Rio Grande do Sul, até que no final de Junho esse recorde foi batido, com -8,8°C em Santa Catarina.

Nesta cidade, lagos, açudes e até uma cachoeira ficaram congeladas. As aulas de rede estadual e municipal de ensino foram suspensas e houve tratamento das bombas d’água que abastecem a cidade na estação de tratamento, que igualmente congelou. Isso não ocorria desde 2007, informou a Companhia Catarinense de Água.

Isso, para um nordestino, é praticamente morrer por hipotermia. Ano passado tínhamos sido atingidos por uma frente fria na mesma área, porém não de tanta intensidade. Ocorreu geada em pelo menos 23 cidades dos três estados do sul, até em Porto Alegre, onde não é comum.

Bom, o que influencia para nós, cariocas? A frente fria chegou para gente, o que retornou a zona sul da nossa cidade maravilhosa em estado de vigilância, que antes estava só em atenção, enquanto a região metropolitana continuava no estado de vigilância, no primeiro nível de uma escala de quatro. O mar ficou mais agitado, e tem previsões de chegar até três metros de altura. E, pasmem, a temperatura máxima que nossa região metropolitana poderia chegar à semana de abertura de Julho seria 18°C. Comparando ao nosso verão anterior, é assustador o contraste.

É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.

Talvez vocês possam considerar algo normal os registros citados acima, porém é evidente que a estabilidade da temperatura global está diminuindo, seja no inverno, seja no verão. O que resta para nós é aproveitarmos as férias para viajarmos para o Nordeste, onde ainda bate 30°C de temperatura máxima ou se preparar com muitos cobertores e chocolate quente no Rio.

Só poderia ser deles

Por Diego Pimenta
No mês de maio, muitos acontecimentos foram proporcionados pelo esporte e dificultaram a escolha do assunto ideal para essa matéria. Nessas linhas que seguem gostaria de falar do segundo jogo da final da Copa do Brasil, que até eu sentar na frente do computador não tinha acontecido, entre Vasco da Gama e Coritiba (quem será que está comemorando a taça?).
Poderia falar da quebra da invecibilidade do tenista Novak Djokovic ao perder para o suiço Roger Federer pela semifinal de Roland Garros. Vencendo desde o ano passado, o sérvio estava perto de bater o recorde de 46 vitórias seguidas do argentino Guillermo Vilas e de ser líder do ranking, sonho que foi apenas adiado. Desde Guga não temos alguém que possa ser ídolo do país, mas seu antigo treinador, Larri Passos, não desiste de voltar as atenções dos brasileiros para as quadras de tênis.
Essa matéria poderia ser sobre o nosso disputádissimo Campeonato do Recreio vencido pelo Time 9. Formado por Paulo Victor, Lucas Cardoso, Guilherme Galante, Felipe Padilha e Caio Pastusiak, eles venceram o Time 7 com o reforço do goleiro Inácio Prazeres na grande final. Com bela atuação de Lucas, "os noves" ganharam de virada por 4 a 1 e levaram a taça.
Sei também que deveria falar do Campeonato Brasileiro, como prometido aos editores do Mamute. Os cariocas não jogam para iguais campeões, mas no futebol nunca se sabe, o que já foi provado nos dois últimos anos com os títulos e as arrancadas repentinas de Flamengo e Fluminense. É claro que com os reforços que estão para estrear, como Juninho Pernambucano no Vasco e Renato no Botafogo, e com o passar do campeonato, nós poderemos, e assim espero, comemorar o título brasileiro.
Mas nenhum outro assunto me deixa mais animado para escrever do que o Barcelona. Os espanhóis deram uma baile na finalíssima da Liga dos Campeões da Europa, sagrando-se tetracampeões. O adversário? Ninguém mais do que o Manchester United de Sir Alex Ferguson, que já conquistou nada menos do que 12 Campeonatos Ingleses e 2 Ligas em 25 anos no comando do Reds. Os ingleses, literalmente, entraram na roda: foram 15 finalizações espanholas contra 3 inglesas.
Treinado por Pep Guardiola(tem 10 títulos em 3 anos de treinador), o Barça encantou a todos com seu jogo envolvente, fazendo um jogo do Botafogo virar mais sofrimento do que já é. O time catalão teve 66% de posse de bola, alcançando a marca de 185 jogos consecutivos com superioridade no quesito, sendo que 183 comandado por Guardiola.
Em 62 jogos na temporada, os azul e grená perderam apenas 6 vezes. O segredo? Talvez porque o time de Váldes, Puyol, Xavi, Iniesta, Pedro, David Villa, Messi e cia. faz um jogo veloz e organizado, tocando bem, e muito, a bola e se movimentando bastante. Outro motivo desse sucesso todo é a confiança em seus jogadores da categoria de base, que têm qualidade e jogam com o coração na ponta das chuteiras.
O Barcelona nos faz relembrar os grandes times do passado: o Santos de Pelé, o Botafogo de Garrincha, o Benfica de Eusébio, o Ajax de Cruyf, o Real Madrid de Di Stéfano e muitos outros. Mas será que o Barça pode estar entre os melhores da história? Eu, sinceramente, não posso dizer com toda a certeza, pois os tempos são outros, o futebol mudou muito de lá pra cá e eu não vi esses outros times. Mas a única certeza que tenho é que terão que suar muito para vencer o Barcelona de Messi, time que paralisou os olhos de todos os adoradores do futebol por 90 minutos.

Guerra ao Terror

Por João Barcellos

Em meados de maio, o homem mais procurado do mundo (até onde é divulgado) foi assassinado por um grupo de elite do exército norte americano. Osama Bin Laden era o líder do grupo terrorista al-Qaeda, conhecido pelos ataques do 11 de Setembro e outros. Esse grupo foi fundado por Osama depois da guerra do Afeganistão, no final da década de 80. Osama fazia parte de uma família saudita rica que provavelmente não ganhou dinheiro dos EUA. "Bin Laden detestava os modos ocidentalizados, perdulários, corruptos". Apesar disso, ele chegou a se "ocidentalizar". Cresceu em uma família extremamente liberal. Era parte de um conjunto de 50 filhos que não tinham restrições sobre como se vestir e agir. Até voltar para o mundo oriental, não via razão alguma para sentir raiva dos EUA. Porém, na década de 80, no Sudão, Bin Laden entrou em contato com grupos islâmicos, que, de certa forma "convenceram" ele, a criar um leque de inimigos, que incluía judeus, xiitas e a população ocidental em geral. Naquele mesmo momento começou a considerar o terrorismo uma ação valida contra esses povos/culturas. Achar o terrorismo uma "boa ação" contra o mundo ocidental (basicamente contra os Estados Unidos) tornou ele uma das pessoas mais "procuradas" do mundo (o filme "A Caçada", baseado em fatos reais mostra uma possível realidade de Bin Laden antes de sua morte). Não se sabe ao certo por que ele ordenou os quatro ataques do 11 de Setembro.

Para aqueles que não sabem, sim, foram quatro ataques, contando com o que falhou. Na manhã de 11/09/01, quatro aviões comercias, (aquele que você usa para fazer um tour pela Europa) foram seqüestrados por terroristas, muito mal armados, e atirados contra três símbolos do poder norte americano, as Torres do WTC e o Pentágono. Quando planejados os ataques, havia um quarto alvo que até hoje não se sabe ao certo qual era. Nesse último avião, o que aconteceu foi que os passageiros, corajosos, se rebelaram contra os poucos terroristas lá presentes. A caixa preta desse avião revelou conversas entre os passageiros, que mostravam que eles sabiam que iam morrer. Sem medo para confrontar os terroristas, os passageiros conseguiram desviar a rota do avião. Eles iam na direção de Washington D.C., provavelmente para atingir o Capitólio e não a Casa Branca - já que o Presidente Bush estava na Flórida.

Pouco tempo depois dos atentados, a al-Qaeda se responsabilizou por esses atos terroristas, o Presidente George Bush declarou o inicio da "Guerra ao Terror" e a al-Qaeda não parou. Como falei antes, Bin Laden era rico e chegou a ter uma fortuna estimada em 270 milhões de dólares. Com todo esse dinheiro, durante a sua vida chegou a morar, estudar e gostar dos EUA. Ele financiou, quase que sozinho, a al-Qaeda. As pessoas falam que o Bush financiou o grupo mas não, ele não financiou eles. Acontece que durante a invasão Soviética no Afeganistão, os EUA financiaram o Talibã para não deixar a U.R.S.S. dominar os afegãos. Talvez você esteja pensando: "Tá, mas e daí?", e daí que o Talibã agora é considerado uma "organização" terrorista, e muitos membros desse grupo fazem parte ou simpatizam com a al-Qaeda e todo as ações terroristas em geral. Cada vez que os EUA fazem um "choque de ordem" desses e que eles tomam uma iniciativa, mais pessoas, membros do Talibã entram para a al-Qaeda. Essa tal "Guerra ao Terror", na verdade, está só começando. Só resta a nós, brasileiros, observar.

A nação que pedia vermelho

Por Mateus Girafa

Trinta e oito anos após o golpe militar que derrubou o Presidente Salvador Allende e mergulhou o Chile numa ditadura, a população pede um re-exame sobre o corpo para enfim saber como Allende morreu. A recente exumação não apenas soluciona a questão de suicídio (como afirmam os militares) ou assassinato, mas relembra e traz à tona o histórico de embates ideológicos e agitações políticas da América Latina.

O Chile era umas das mais consolidadas democracias da América, com cerca de 140 anos de liberdade política quase ininterrupta após a independência. Em meio à divisão do mundo e da América na Guerra Fria, com a revolução cubana em 1959 e o golpe militar brasileiro em 64, o clima era de tensão e divisão da política chilena nos dois polos. Em 1970, Allende, ex-exilado político e derrotado nas três eleições anteriores, une forças da esquerda chilena em torno da Unidade Popular e ganha as eleições contra o conservador Jorge Alessandri, tendo como grande aliado o escritor Pablo Neruda, Prêmio Nobel de Literatura. É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.

Os trabalhadores chilenos viam enfim, um governo que os representava. Dando sinal vermelho à tradicional exploração das classes populares em países subdesenvolvidos, Allende estrutura a sociedade com projetos de reforma agrária e nacionalização de indústrias sem abrir mão da democracia e liberdade política. Mas a direita chilena se vê ameaçada e se articula junto a CIA para quebrar a economia, com boicotes ao setor alimentício e greves dos transportes.

Allende representava igualdade e avanço demais para o grande capital, então no dia 11 de Setembro de 73 os setores reacionários chilenos, os EUA e a ditadura brasileira apoiam o golpe militar que invadiu o Palacio de la Moneda em Santiago. Na última mensagem do presidente ao povo, ele diz:

''Trabalhadores da minha pátria: quero lhes agradecer a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que somente foi o intérprete dos grandes anseios de justiça. Estou me dirigindo, sobretudo, à modesta mulher da nossa terra, à camponesa que acreditou em nós. Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, àqueles que cantaram, que entregaram sua alegria e seu espírito de luta. Pagarei com a minha vida a defesa dos princípios que são caros a esta Pátria”

Allende morre com um fuzil soviético à mão: estava instaurada a ditadura militar no Chile sob o comando do general Augusto Pinochet que duraria 17 anos e deixaria milhares de mortes, repressões e mazelas.

O Chile foi apenas mais um país que tentou buscar justiça, tentou superar o quadro de exploração e subdesenvolvimento e se viu castigado por sonhar. Passadas as décadas de 80 e 90 e as grandes ditaduras latinas, vemos o Chile rever sua história de governo militar (vale lembrar que Pinochet foi condenado por seus crimes, morrendo de saúde pouco depois) e a Argentina perseguir seus torturadores, enquanto o Brasil ainda fica parado diante do argumento militar de “revanchismo” e nem ao menos consegue dar satisfações às famílias dos desaparecidos. Resta-nos apenas não ficarmos passivos frente ao passado e presente de manipulação e controle da América Latina como este 11 de Setembro, que os EUA preferem dizer que não aconteceu.

Assassinaram o Assassino.

Por Laura Chaloub

Parecia ser um dia comum. Desses que a Voluntários da Pátria tá todo engarrafada, com gente estressada buzinando, ônibus quebrado, carro enguiçado. Dia típico de se demorar mais de uma hora atravessando Botafogo pra chegar ali pelo Flamengo ou Largo do Machado. Nem quis saber de nada; fiquei lendo meu romance do Caio Fernando Abreu, intrigada com a escrita e com os sentimentos do gênio. Foi por essas horas num ônibus lotado, típico calor do Rio de Janeiro num dia de praia, que me interrompe a leitura uma moça. Moça bonita, que usava uma blusa bonita e um sapato bonito. Aquela coisa de gente chique. Mais chique do que eu – o que não era muito difícil de ser.

Ela, como ia dizendo, disse com voz de desgosto “Assassinaram o assassino”. E um suspiro longo, pesado. Daqueles que dão um aperto no coração. Já tava sabendo. Aquele homem, Osama, tava é morto. O Jornal tinha inventado de passar gente americana comemorando. Comemorando como se tivesse estabelecida a paz mundial e eterna. Ri com meus pensamentos, ela percebeu. Achou que era dela. Me desculpei.

“Tá sabendo, né?”

“Tô sim.”

“Tá gostando também?”

“Tô não” Silêncio. Desgosto. “E a senhora?”

“Também não.”

“’Mó’ hipocrisia essa coisa de matar, num acha?” Silêncio. “Olho por olho e o mundo tá aí, todo cego. Comemorando a morte como se a violência tivesse acabado. Comemorando como se aquele homem, Obama, que matou o outro homem, Osama, fosse herói.”

“Assassinaram o assassino” ela repetiu com um sorriso triste “E depois dizem que é direito humano ser julgado pra, então, ser condenado…”

.“Talvez devêssemos matar eles”

“Quem?”

“Os americanos… Mataram Osama. São criminosos”

“Nos matariam por matá-los”

“E os matariam por matar-nos”

“E todo mundo ia morrer”

“O mundo ia ficar mais belo. Deveríamos matá-los” repeti.

“É, talvez devêssemos mesmo.”

Edição Virtual

Com as férias, a edição do mamute teve que ser virtual, para que as matérias não ficassem desatualizadas. Apesar do atraso, seguem-se as reportagens escritas pelos alunos, para os alunos.

(Ir)Racional

Por Fabiano Lemos

Imagina um dos maiores cantores do Brasil, autor de grandes sucessos que falavam desde cores até doces, conhecido pelo seu gosto pelo excesso principalmente de álcool e fumo e seu humor inconfundível. Agora imagina esse mesmo cantor pronto para entrar em estúdio para gravar um LP (sim, ainda eram LPs) duplo financiado por uma das maiores gravadoras do país que investiria pesado em sua divulgação. Tem como dar errado? Sim, tem como dar muito errado.

O ano era 1975 e o cantor era Tim Maia. Ele estava por cima já que no ano anterior tinha lançado o LP “Tim Maia Vol. IV” que emplacou dois grandes sucessos: “Gostava Tanto de Você” e “Réu Confesso”. Além disso, as canções do novo disco estavam prontas e Tim e a sua banda de apoio Seroma (junção da primeira sílaba de cada parte do nome de batismo dele, SebastiãoRodrigues Maia) estavam muito satisfeitos com as suas composições para o novo álbum. Estava tudo pronto para mais um sucesso de crítica e venda. Eis que aconteceu o inimaginável.

Em uma visita a seu amigo Tibério Gaspar, Tim aproveitou o banho de Tibério para ler um dos livros de seu amigo. O nome do livro era “Universo em Desencanto” escrito por Manuel Jacinto Coelho. Nele estavam as bases e ideias da Cultura Racional. Ela mudaria a vida de Tim pelos próximos dois anos e também o seu esperado LP duplo. Mas antes de continuar tem que haver uma rápida explicação do que era a Cultura Racional.
A Cultura Racional era uma religião criada por Manuel, autor do livro que Tim leu, e acreditava que os seres humanos eram, na verdade, alienígenas na Terra e que os nossos “irmãos” extraterrestres viriam um dia nos buscar, mas, só levariam para o nosso planeta de origem aqueles que tinham lido os livros de Manuel e seguido a doutrina Racional.

Logo que saiu da casa de Tibério, Tim foi imediatamente para Belford Roxo onde Manuel morava. Após conversar com ele, o cantor ficou hipnotizado pela seita Racional e mudou radicalmente a partir disso. Primeiramente, ele parou de fumar, beber, comer carne vermelha e ter qualquer atitude politicamente incorreta. Além disso, passou a usar apenas roupas brancas e tudo em sua vida passou a girar em torno da sua Imunização Racional que o levaria para um mundo melhor, inclusive a sua música e a banda Seroma.

A partir daquele momento, só trabalhava com Tim Maia aquele que tivesse lido o livro “Universo em Desencanto” e seguisse a risca as suas recomendações. Ele converteu a banda inteira à Cultura Racional e controlava rigorosamente seus membros já que eles não podiam beber, fumar e nem comer carne vermelha assim como próprio cantor. Aquele que fosse pego no flagra ou tivesse com hálito de cigarro, maconha ou álcool era imediatamente demitido da banda. Além disso, Tim fez mudanças nas letras do LP que seria lançado futuramente para exaltar ainda mais o agora mestre Manuel e a importância da Imunização Racional para a salvação da humanidade. Essas mudanças não agradaram nada a gravadora que não aceitou gravar dois LPs inteiros que faziam uma ode a uma religião estranha ainda mais na época da ditadura militar em que a moral e os bons costumes eram extremamente valorizados.

O álbum que se chamou “Tim Maia Racional Vol. I e II” teve que ser lançado de forma independente e por isso teve uma pequena tiragem inicial. Apesar de algumas ótimas músicas como “O Caminho do Bem” e “Guiné-Bissau, Moçambique e Angola”, o disco foi duramente criticado pela mídia e o público não aceitou muito bem as ideias malucas propostas pelo disco, os poucos disponíveis ficaram encalhados nas prateleiras da loja e os shows estavam sempre vazios.

Apesar disso, Tim não desistiu. Na verdade, estava mais ambicioso e acreditava que poderia espalhar a Cultura Racional para o mundo. Para isso, ele mandou um livro de Manuel para James Brown e outro para John Lennon. Os livros não foram traduzidos, mas segundo Tim, a força Racional faria com que eles entendessem. James ignorou o livro e o ex-Beatle de uma maneira educada e simpática mandou o livro de volta com uma foto sua em que estava completamente pelado e o seguinte bilhete: “Dear freak, I don’t understand portuguese. What about you LISTEN to this foto. John Lennon”. Tim ficou possesso e falou que John só tinha mais nove anos de vida. Na verdade, ele errou por quatro anos já que em 1980 John Lennon foi assassinado em Nova Iorque, Estados Unidos.

Tão repentina quanto a sua entrada no mundo racional, foi a sua saída. Um belo dia, Tim Maia acordou com muita vontade de comer uma carne e beber um whisky. Como estava sem dinheiro por causa dos custos do disco e a Imunização Racional parecia estar longe, decidiu abandonar a seita. Afinal, ele seguia todas as instruções do livro como poderia estar sem dinheiro e o disco não ter feito sucesso? Depois disso, voltou a ser o velho Tim Maia, bêbado, cafajeste e falastrão.